DAS CANÇÕES QUE EU ESQUECI QUE HAVIA FEITO.

Dizer tudo, é isso.

o romance está em apuros.

Entortei os ponteiros com a mão
Só pra estremecer o tempo
Por um segundo eu tive essa sensação
Até ela me escapar com o vento

Pra não mais voltar
Ela não vai voltar

Falhei quando tentei dançar a dois
A dança estranha dos meus dias
Senti o fogo arder para depois
Deixar minhas mãos ainda mais frias

Pra não mais voltar
Quem nunca esteve aqui

Mas, se eu pudesse voltar no tempo
Jamais mudaria um só momento
Então vai, é tudo que eu posso pedir
Não olhe pra trás, sob pena de não mais me encontrar aqui.

View original post

Aside

E o vácuo de novo. E novas incertezas. Um caminho percorrido aos tropeços
E um corpo pra esquecer. De novo.

Desde que tenho me visto sem você, tenho sido cometido por ânsias impuras, erros do passado, medo do futuro. E não tem sido fácil.
Tenho acordado sozinho, caminhado sozinho, amanhecido sozinho. E não tem sido fácil.
Tenho andado entre os mais loucos, os mais bêbados, e percebendo que onde devo estar é ao meio deles. E não tem sido fácil.

Agora tu ri da minha cara, e diz que mereço.
Sim.

Não sabe, mas tenho me martirizado por cada erro, e me matado aos poucos de desespero.
Acordo colocando a culpa em mim, por não ter aguentado um pouco mais, por não ter sido forte um pouco mais, por ter ter dado ouvido ao que minhas lágrimas diziam ao cair.
Quando que, no fim da noite, estávamos juntos.

Agora estou aqui.

Não consigo trabalhar, não consigo estudar, não consigo escrever.

Não consigo mais viver.

“Eu faço versos como quem morre” M. Bandeira.

Esse é meu primeiro domingo sozinho depois de muito tempo, e, ao fumar meu cigarro na garagem, a madrugada me trouxe um vento súbito de saudade que estava evitando a semana inteira. E doeu.

Há pouco você estava aqui, fumando junto comigo, rolando pelo chão da garagem, entre amor e sexo.
Há pouco estávamos cozinhando numa manhã de domingo, deixando a ressaca de lado pra aproveitar cada segundo juntos.
Há pouco, este colchão que estou deitado tinha a presença do teu corpo sonolento. E teus braços envolviam meu corpo, como quem protege a coisa que mais se ama no mundo.
Há pouco de uma semana, eu estava feliz.

Nunca me esqueci como é viver sem você. Desde a primeira vez que tive que seguir assim, trilhar meu caminho assim. Mas hoje, as lembranças que outrora não existia tem matado pouco a pouco meu corpo exausto.
Lembranças boas, que puxam as ruins.
E no meu momento de fraqueza, quando estou colocando a roupa pra correr na tua casa pra te beijar e dizer que não, eu não vivo sem você.
Elas me traem.
E o ego fala um pouco mais alto: Você precisa ser feliz;

Erras em pensar que não me fez feliz, que não me foi protetora, erras em pensar que só foi errônea e cega. Eu fui feliz cada segundo que estive ao teu lado. Mesmo nas navalhas que tu cravava na minha pele, eu conseguia ver a alegria em só te ter ao meu lado.

O que talvez tu não saiba, é que sempre que vinha em minha direção eu era pessoa mais egoísta do mundo, porque queria teus passos, teu corpo, teu sorriso só pra mim, só pra sempre.

Mas o amor nos traiu, e o meu lado humano de não aguentar mais acumular decepções e dores falou mais alto.

Só não quero que pense que não á amo. Amo mais a ti do que minha própria vida que se finda pouco a pouco nas noites de domingo.
Só não quero que pense que está errada, quando quem esteve mais errado fui eu, em deixar isso chegar ao ponto que chegou.
Não quero que culpe á si mesma pelo fim de nós dois, porque quem findou sou eu, e quem está mais sofrendo com isso. Sou EU

Egoísmo em dizer isso?  Talvez.
Mas eu sei onde mora, onde costuma ir, sei seu telefone, sei que me ama, sei que me espera e me quer de volta.
E sei que eu te amo.
Mas continuo aqui: lutando contra minha vontade de correr pros teus lábios, lutando contra minhas lembranças tristes das coisas que fez.

Meu amor tem entrado em combate dentro de mim, contra mim.

E não pense que tem sido fácil.

Eu só queria domingo passado de volta. Talvez eu tivesse feito diferente.

E eu podia ter feito.

“…se eu soubesse que o amor é coisa assim, não pegava, não bebia, não deixava embebedar.”

Cabelo ao vento, gente jovem reunida…

Era um dia frio de junho depois de  ter  passado já muitos junhos. Eles se encontram no terminal rodoviário. Era aniversario de um, o outro foi lhe dar o parabéns.

Pareciam dois desconhecidos, se não fosse o fato do Vinil da Elis Regina e Marlboro vermelho que um dará ao outro como lembrança. Eles se conheciam bem.
Um poderia não saber mais muito bem, porque a pessoa que conhecia mudara muito.
Mas o outro lembrava.

E entre fumaças e cara sem graças, resolveram falar dos atuais:
_ Você está bem com ele?
_ (risos – não acreditava que estavam falando daquele assunto) Estou sim e Você?
_ Bem. Quanto tempo?
_ Um ano e uns tantos meses
_Tempo
_ É.

A conversa foi ininterrompida pelo ônibus que chegará._Vou nesse!!
Então eles se abraçaram como antes, com os mesmos cheiros de antes – café e cigarro, outrora cachaça-.
E partiram como antes.

Mas dessa vez com o coração inteiro.

Aside

De manhã, antes do dono do bar fechar suas portas, pergunto á ele se posso ir no banheiro vomitar – grosso modo mesmo –

_ Vai né, quem manda beber demais!
_ Ah senhor, quem manda amar demais. 

Aside

Clichê é tu dizer – O problema sou eu – pra pessoa que está acabando de deixar.
Pra ela, você não é problema.
Você é a solução – de tudo -.
Por mais errado que você seja, por mais politicamente incorreto – e o caralho à quatro –

Você sempre será a solução. 

Aside

E eu só lembro de rir a tarde inteira, de mexer em teu cabelo – sempre com aquela desculpa que havia algo nele -, olhar pra tua boca, de sentarmos em uma pedra na beira do rio e ver o pôr-do-sol. Eu só lembro de teus olhos, de teu sorriso, seu riso, meu riso.

– Quando nos veremos de novo?
– Nunca mais.

Eu sempre acreditei em você.

Quatro meses sem noticia sua.

E eu acho que está sendo melhor.